30 maio, 2009

e foi assim..

Começou com um sorriso e assim terminou. O tal sorriso que me deixou boba por meses, rindo sem parar, parando de pensar. O primeiro tão distante e descompromissado, como quem quer fazer alguém sorrir. Era como se pudéssemos nos comunicar atravéz dessa amostra de dentes, a porta da alma. É claro que depois dos sorrisos as mãos se encontraram, as bocas se tocaram e os corpos se aqueceram uma infinidade de vezes, mas aquele sorriso não hei de esquecer.
De certo que não era apenas um sorriso.. eram vários. Tinha aquele discreto que davamos na presença de outras pessoas, tinha o concreto que queria dizer "enfim sós", aquele de despediada que era dado depois do consolo dos beijos e aquele de canto que até hoje me fascina. Vivíamos sorrindo, talvés por isso tenhamos sido tão felizes. Talvés seja esse o segredo da felicidade.
E o ultimo deles, sde despedida que o consolo dos beijos não aliviaram, tão próximo e preso, sorriso de quem quer sorrir pra expulsar a saudade.

11 maio, 2009

caminho

Ponto, ônibus, cadeira, janela
moço, carro, arvóre, sonho
sono, freio, povo, donzela
ladeira, moça puta, suponho

mar, elevador, poeta
sinal, vermelho, placa, seta
chão, moço pobre
carro, moça esnobe

menina, flor, barraca
moço portando faca
idosa, avó e neta
rua segue direta

engarrafamento
sono, atraso, tormento
moto passa apressada
ambulância, enfermeira e maca

Hora, ponto, levanto
corda, sirene e luz
desço, escada, chego
chuva,casaco, capuz

03 maio, 2009

O som da vitória

Domingo de jogo, decisão do campeonato Baiano. Tiro a bandeira guardada e contemplo suas cores. O vermelho e preto, o E, o C e o V sobrepostos.
O jogo começa cheio de faltas, dá pra sentir a tensão dos jogadores. O Bahia faz o primeiro gol e dá pra se ouvir os gritos pelo bairro, vestida a rigor vou a um bar próximo para assistir o restante. É visível a supremacia do Bahia no bar, enrolada na minha bandeira procuro um espaço entre as cadeiras postas ao redor da Tv. Ouço sussuros de ofensas:
- Lá vem do Vicetória.
- Coitadinha!
Penso milhões de ofenças que nem cogito falar. O jogo segue e em alguns minutos perdemos a nossa vantagem, o temido 2x0. A gritaria esperada acontece. Minutos de urros, palavrões, gritos, latidos.. Mentalizo minha vitória sem nem sequer tirar os olhos da tela. E mais ofensas..
- Cadê o Leão?
- A vitória já é nossa..
-.. e o vitória também.
Quieta continuo. Continuo observando o vocabulário baixíssimo dos meus "adversários", calada como podia. A comida chega e com ela um gol do Vitória. Por segundos silêncio, até eles começaremcom a velha ladainha.
- Era impedimento!
- O gol tava impedido, vei.
- Juiz ladrão esse. Deve ser Vitória.
Solto uma risada, não tão alta como queria mas já era suficiente. O ambiente já estava mais silêncioso, e a vitória já seria nossa pela vantagem adquirida em outros jogos. Não poderia ser melhor, vem o segundo gol 2x2! Vem também a louca vontade de gritar, mas ao observar o silêncio ao redor me sinto extremamente satisfeita. Aquele som, ou a falta dele me davam a certeza da vitória e a minha elegância e educação eram a soberania de um time campeão.