Eu sou um inseto que sonha ser pássaro,
como uma largata que almeja o casulo para se tornar borboleta.
Eu não tenho medo do escuro.
Eu sonho com um futuro diferente,
pra uma ação ardente.
Eu leio olhos, não mentes.
Meu anjo é forte, talvez disperso.
Meu medo é pouco e talvez imerso em mim.
Sou anacrônica e transparente,
como criança que quer ser gente
e não perceber que só de querer já o é.
E sê-lo é a minha busca,
a dosagem perfeita é minha cura,
com um pouco a mais pra desperfeituar
porque o perfeito no erro está.
No exagero, meu tempero predileto.
E no desmazelo, sal e açucar no ponto certo.
Como um urso, que sabe a hora de acordar.
Sou sonhadora e sem limites,
como um moinho com o abismo nos pés.
Pra mim é oito ou oitenta, cem mil ou dez.
Como uma cigarra que não sabe a hora de parar de cantar.
Como uma analogia que te esconde do que realmente se é.
"É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo." (Clarice Lispector)
27 novembro, 2009
19 novembro, 2009
Primavera
Primavera já floriu
e de aromas e flores
preencheu o meu vazio
Primavera preencheu o meu vazio
trouxe você ao meu rio
e deixou correnteza levar
Correnteza levou o que restou
daquele amor
que a saudade queria guardar
A saudade que bateu
correnteza levou
e a chuva que caia, rio transbordou
E só a chuva levou
o que de saudade estivera
e do vazio que ficou
preencheu primavera
e de aromas e flores
preencheu o meu vazio
Primavera preencheu o meu vazio
trouxe você ao meu rio
e deixou correnteza levar
Correnteza levou o que restou
daquele amor
que a saudade queria guardar
A saudade que bateu
correnteza levou
e a chuva que caia, rio transbordou
E só a chuva levou
o que de saudade estivera
e do vazio que ficou
preencheu primavera
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