27 novembro, 2009

como uma analogia

Eu sou um inseto que sonha ser pássaro,
como uma largata que almeja o casulo para se tornar borboleta.
Eu não tenho medo do escuro.
Eu sonho com um futuro diferente,
pra uma ação ardente.
Eu leio olhos, não mentes.
Meu anjo é forte, talvez disperso.
Meu medo é pouco e talvez imerso em mim.

Sou anacrônica e transparente,
como criança que quer ser gente
e não perceber que só de querer já o é.

E sê-lo é a minha busca,
a dosagem perfeita é minha cura,
com um pouco a mais pra desperfeituar
porque o perfeito no erro está.
No exagero, meu tempero predileto.
E no desmazelo, sal e açucar no ponto certo.
Como um urso, que sabe a hora de acordar.

Sou sonhadora e sem limites,
como um moinho com o abismo nos pés.
Pra mim é oito ou oitenta, cem mil ou dez.
Como uma cigarra que não sabe a hora de parar de cantar.

Como uma analogia que te esconde do que realmente se é.

19 novembro, 2009

Primavera


Primavera já floriu
e de aromas e flores
preencheu o meu vazio

Primavera preencheu o meu vazio
trouxe você ao meu rio
e deixou correnteza levar

Correnteza levou o que restou
daquele amor
que a saudade queria guardar

A saudade que bateu
correnteza levou
e a chuva que caia, rio transbordou

E só a chuva levou
o que de saudade estivera
e do vazio que ficou
preencheu primavera