27 novembro, 2009

como uma analogia

Eu sou um inseto que sonha ser pássaro,
como uma largata que almeja o casulo para se tornar borboleta.
Eu não tenho medo do escuro.
Eu sonho com um futuro diferente,
pra uma ação ardente.
Eu leio olhos, não mentes.
Meu anjo é forte, talvez disperso.
Meu medo é pouco e talvez imerso em mim.

Sou anacrônica e transparente,
como criança que quer ser gente
e não perceber que só de querer já o é.

E sê-lo é a minha busca,
a dosagem perfeita é minha cura,
com um pouco a mais pra desperfeituar
porque o perfeito no erro está.
No exagero, meu tempero predileto.
E no desmazelo, sal e açucar no ponto certo.
Como um urso, que sabe a hora de acordar.

Sou sonhadora e sem limites,
como um moinho com o abismo nos pés.
Pra mim é oito ou oitenta, cem mil ou dez.
Como uma cigarra que não sabe a hora de parar de cantar.

Como uma analogia que te esconde do que realmente se é.

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