17 outubro, 2012

Estava deitada em sua cama com os olhos voltados para janela, observava o céu escuro como um tecido negro estendido do lado de fora. Não sentiu o vento bater e mesmo que por pouco tempo esvaziou a mente por completo como que numa meditação. Sentiu a irrealidade da vida, essa falta de sentido que estamos sempre tentando ignorar. Tentou. Tentou pensar no dever de casa, no livro que estava lendo, na profissão que gostaria de ter, na fome que sentira, nos gostos que agradavam. Nada. Nada. Nenhum sentido existe em viver, e por mais que realize em vida, nenhum sentido qualquer feito fará após a morte.  Rezou para esquecer tal pensamento, mas não acreditava em suas próprias palavras quem dirá num deus que não conhece. Queria iludir-se de novo mas não podia mais.
Crianças não têm motivos pra chorar. Era o que me dizia.
O que é isso que me faz chorar então? Será que não sou criança? Era o que eu pensava.
Isso não é normal, mas também não a preocupa.
Apenas pare e esqueça.
Chorona!
Ninguém podia gritar ou reclamar e eu caia em lágrimas, me sentia envergonhada por chorar, não posso chorar, não existem motivos para o tal. Quem sou? O que sou? Porque sou?