17 outubro, 2012

Estava deitada em sua cama com os olhos voltados para janela, observava o céu escuro como um tecido negro estendido do lado de fora. Não sentiu o vento bater e mesmo que por pouco tempo esvaziou a mente por completo como que numa meditação. Sentiu a irrealidade da vida, essa falta de sentido que estamos sempre tentando ignorar. Tentou. Tentou pensar no dever de casa, no livro que estava lendo, na profissão que gostaria de ter, na fome que sentira, nos gostos que agradavam. Nada. Nada. Nenhum sentido existe em viver, e por mais que realize em vida, nenhum sentido qualquer feito fará após a morte.  Rezou para esquecer tal pensamento, mas não acreditava em suas próprias palavras quem dirá num deus que não conhece. Queria iludir-se de novo mas não podia mais.

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